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Com o Pato Donald

VC em 1950.
Mas tudo ia começar com um Pato, o Donald. E o olhar visionário de alguém que soube enxergar – e investir – no futuro. Na primeira vez em que pisou no Brasil, em setembro de 1949, Victor Civita já tinha 42 anos. Quase não conhecia ninguém e sequer falava português. Ele passava férias, na Itália, quando um irmão, César, lhe falou sobre um país distante, gigantesco, que parecia um celeiro de oportunidades. César era licenciado da Walt Disney para a América Latina e estava estabelecido na Argentina havia uma década. Quem sabe Victor se interessava em expandir o licenciamento para o Brasil?

Seu Victor, como seria conhecido, interrompeu as férias, mandou a família – a esposa Sylvana e os filhos, Roberto e Richard - de volta a Nova York, onde viviam, pegou um navio e veio conhecer o Rio de Janeiro. Mas achou que São Paulo tinha mais potencial para abrigar seus projetos. Ficou tão entusiasmado, que não voltou aos Estados Unidos nem para organizar a mudança. Enviou um telegrama pedindo que Dona Sylvana vendesse tudo, embarcasse em um navio com os 2 meninos, e se pôs a trabalhar com a energia inesgotável que se tornaria sua marca registrada.

O próximo passo foi se instalar num escritório da Rua Libero Badaró. Seis meses depois, em julho de 1950, nascia a versão nacional do Pato Donald. As crianças brasileiras, que só conheciam os personagens da Disney pelo cinema, ficaram encantadas. Na seqüência, vieram muitas outras revistas – iniciando uma longa linha de publicações infantis que traria títulos memoráveis como “Mickey”, “Tio Patinhas”, “Luluzinha”, “Zé Carioca”, “Super Homem”, “Turma da Mônica”, “Menino Maluquinho” e “Recreio” – esta uma proposta inovadora que revelou vários futuros talentos da literatura infantil brasileira.