Sempre Crescendo
Seu Victor era assim, nunca aceitava “nãos”. Anos mais tarde, usaria a mesma persistência para convencer o então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, BNDE – hoje BNDES – a financiar a modernização da gráfica. O banco fora criado para apoiar a indústria de base, mas editoras e gráficas não se encaixavam oficialmente nesta definição “Como não é indústria de base? , reagiu ele. “Como você vai construir um país sem gráfica? E sem livros, sem revistas, sem jornal e sem leitura?” E conseguiu que o banco mudasse seu estatuto para lhe conceder o empréstimo. Um Pioneiro Depois das publicações infantis, em 1952, Victor Civita apresentou os brasileiros a outra novidade: as fotonovelas. A primeira, “Capricho”, transformou-se em sucesso nas bancas, alcançando a fantástica tiragem, para a época, de 500 mil exemplares. Mas o mercado só anunciava nas revistas já conhecidas. Para atrair os publicitários e anunciantes, foi preciso levá-los até a gráfica da Abril, para que conferissem, pessoalmente, a veracidade dos números. Esta foi a origem do IVC, Instituto Verificador de Circulação, criado por iniciativa da Abril, junto com algumas grandes agências, e que acabou conhecido, equivocadamente, no mercado como “Instituto Victor Civita”. A Abril começava a ganhar espaço nas bancas do Brasil inteiro com uma profusão de lançamentos. A década de 60 trazia uma revolução social, com mudanças na política e nos costumes. E Seu Victor tinha uma sensibilidade inigualável para detectar o que os leitores queriam e antecipar suas necessidades. Em 1950, ele lança “Manequim”, a primeira revista focada em moda, que inovava com moldes para costura. Um ano depois, surpreende de novo com “Quatro Rodas” , a primeira publicação sobre carros, numa época em que a indústria automobilística ainda engatinhava no país. O editor Mauro Ivan ainda se lembra do impacto: “ Falavam pra ele: Mas Victor, o Brasil só tem três estradas, como é que você vai fazer uma revista pra três estradas? No terceiro numero você não tem mais revista. E ele fez. Ele acreditou e a revista é o sucesso que é até hoje.” Outro lance de pioneirismo veio já no ano seguinte, em 1961: uma revista com o nome da filha que ele sempre sonhara ter, “Cláudia”. Feita para a mulher dos novos tempos, que já não se contentava em ser, apenas, a rainha do lar, era uma mudança radical. Enquanto as publicações femininas da época falavam em moda, tricô e assuntos de cozinha, Cláudia enveredava por temas ainda tabus, como sexo e contracepção . Seu Victor criava um canal direto com o público feminino, que se fortaleceria ao longo das décadas seguintes, dando origem a muitas outras publicações como “Nova”, “Elle” e “Boa Forma”, entre outras. |












