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Amor pela cultura

VC na década de 60.
Victor Civita foi um auto-didata. Em sua juventude, na Itália, teve que se alistar na Força Aérea logo após concluir um curso técnico. Mas viajou pelo mundo, falava diversos idiomas, e era apaixonado por arte, cultura, conhecimento e música - especialmente a ópera. Em meados da década de sessenta, ele iria compartilhar este amor com milhões de brasileiros e promover uma verdadeira revolução cultural com o lançamento dos fascículos, outra inovação que sacudiu o mercado. A idéia foi trazida da Itália, e nem os próprios diretores da Abril, à época, acreditavam que daria certo. Afinal, ninguém estava acostumado, por aqui, a comprar livros em pedaços, muito menos em bancas de jornais. Mas Seu Victor sabia o que fazia.

O primeiro lançamento, “A Bíblia mais Bela do Mundo”, com edição primorosa, foi um sucesso estrondoso, com meio milhão de exemplares vendidos. Era a primeira tradução do livro sagrado do cristianismo no Brasil desde o século XVIII. Na seqüência, veio outro best-seller a enciclopédia “Conhecer”, depois coleções como “Gênios da Pintura” , “Medicina e Saúde”, “Os Bichos”, além de séries como “Mitologia”, “Arte nos Séculos”, “As Grandes Religiões”, “Os Pensadores” e “Os Imortais da Literatura”. O professor e filósofo Eduardo Gianetti ressalta a importância desta contribuição de Victor Civita ao país : “ Ele foi um grande disseminador de cultura, pois tornou acessível, a preços relativamente baixos, toda uma tradição da cultura ocidental”.

O Empreendedor

Não satisfeito, Seu Victor inventou de vender música nas bancas – o que era proibido pela legislação, por questão de impostos. Persistente como sempre, não descansou enquanto não convenceu as autoridades da Fazenda a alterarem o sistema. Foi assim que os brasileiros conheceram “Os Grandes Compositores da Música Universal” e, mais tarde, “As Grandes Óperas” , a “História da Música Popular Brasileira” e “Os Gigantes do Jazz”. No total, em dezessete anos, foram vendidos 50 milhões de fascículos. Até a Filosofia virou campeã de vendas com a série “Os Pensadores”. Só Platão vendeu cem mil exemplares em 15 dias.

Enquanto transformava as bancas do país em verdadeiras bibliotecas públicas, Victor Civita continuava investindo na modernização da gráfica e diversificava os negócios. Era um empreendedor sem descanso, que parecia ter uma idéia nova por dia. Entrou no setor de embalagens, com a criação da Embalarte, no ramo de hotelaria e turismo, com os Hotéis Quatro Rodas, e ainda no setor de estocagem frigorificada, com uma empresa chamada Cefri.