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O Sonho da educação

VC com a primeira edição da revista Nova Escola, em fevereiro de 1986. (Jorge Rosenberg)
No final da vida, este empreendedor e visionário incansável pôde se dedicar mais a um antigo sonho: contribuir para melhorar a educação no Brasil. Na década de 60, ele já havia se empenhado nesta missão, produzindo cartilhas para alfabetização de adultos e investindo em livros didáticos. Como o escritor Monteiro Lobato, Victor Civita acreditava que um país se faz com educação e leitores. Mas os governos militares, que eram os principais compradores de materiais didáticos, puniram a Abril por sua independência editorial, e o negócio não pode ir adiante.

A vocação para educação foi retomada em 1985, com a criação da Fundação Victor Civita, e no ano seguinte, com o lançamento da revista Nova Escola, voltada para o aprimoramento dos professores. A Fundação tornou-se herdeira de seus sonhos e seu patrimônio pessoal , que incluía uma preciosa coleção de obras de arte. Anos mais tarde, o filho Roberto retomaria o projeto do pai, comprando 2 das principais editoras de livros didáticos do país: Ática e a Sipione. “ Ele me dizia: “Nós não podemos continuar pescando leitores neste laguinho, se não ajudarmos a colocarmos peixinhos do outro lado”, relembra Roberto. “ Os livros didáticos eram muito anacrônicos, caros e chatos, aí ele disse: vamos fazer livros modernos, bonitos e baratos”.

Este incansável coração parou de bater em 1990, aos 83 anos. A esposa e companheira de Seu Victor a vida inteira, Sylvana, encontrava-se internada, em coma, e morreria uma semana depois. Seu legado, porém, continua mais vivo do que nunca. No Grupo Abril, que continua crescendo e levando adiante a missão do fundador de disseminar cultura, informação e entretenimento. Na vida dos milhões de pessoas, cujas vidas ele tocou com suas publicações. E no exemplo deixado para as futuras gerações por este italiano cheio de energia que amava o Brasil, a pátria do seu coração.